ALAGOINHAS

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O Cangalha do Vento e a sétima arte

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

/ by REDAÇÃO


Samuel Costa*

Quando uma pessoa se propõe ler um livro, seja em sua particularidade ou em idealização social, leva para si representações de sentidos internos, revelando sua evolução da própria vida e assim exterioriza o examinar favorito.
Na visão como Psicólogo e Psicodramatista estou aqui porque depois de ter vivenciado essa escrita, posso escolher reagir angustiado, alegre, furioso ou pensativo. A vida é um palco, em todo palco existe um drama, e em todo drama há uma cena no mundo interno ou no mundo externo, escondido ou não, atrás das câmaras. Se eu assim decidi assumir a responsabilidade de ler a escrita do meu amigo Luiz Eudes, cumpro com a concepção de propor desenhos em forma de xilogravuras em sua narrativa, o que simbolicamente me dominou por completo.
Porque inicialmente chamo de amigo e não escritor? A meu ver, isso ocorre quando nas linhas iniciais fui preparado de maneira generosa a respeitar a etapa da matriz familiar com a frase de Antônio Torres: 
“O Junco:
 esta é a terra que me pariu,
hei de te amar até morrer”.
Quando a emergência se torna inicialmente presença, a mitopoética apresentada por Luiz Eudes sai do papel repetido, cristalizado, para um desenvolvimento dinâmico de nossa existência como espécie humana. 
A crise em particular gerou em mim as interpolações entre o interno e o externo, o gozo e o horror, amor e ódio, a vida na morte. Saio do meu imaginário e graças as suas possibilidades abro a primeira cena em meu modo real.        
Quando estou referindo a perspectiva da cena, manifestou a dramatização de aparecer um número variável de personagens, cenários, sons, multidões e energia suplementar que podem ser vivenciadas desses impulsos. 
A morte ainda é vista como um acontecimento medonho, pavoroso em vários níveis. Como é fascinante essa interpolação de papéis que abre a cosmologia do ser humano entre o céu e a terra. Vivemos por muito tempo e não sabemos para que estamos aqui. Assim agora o autor Luiz Eudes diz: 
“Como haveria de viver por mais tempo o homem que tanto amara? Não havia remédio contra a morte, a saudade era inútil, a ausência perene. Aristeu, o Galego, olhou languidamente a tarde que esmorecia no céu do Junco, onde filetes escartales delineavam o céu. E morreu com a imagem de Tereza sorrindo para ele.”
Sinto aqui que é a partir das nossas escolhas que fazemos a vida mudar, ajustar e criar. Quanto mais avançamos com a ciência, nos perdemos na essência. - E do que se trata a essência? Perguntou o amigo Eudes em uma tarde regada a café. Em todo quintal pode haver um jardim. Assim digo que quando existe uma sintônia de ambos se torna sagrado. 
Essa sicronissidade interconectada determina circunstâncias do autor, produz naquele que o realiza e no meio de que o cerca. Essência nada mais é do que o ato criador. Porém a conserva cultural fez do nosso tempo uma modalidade enraizada, automática e sem novos rumos da obra. As notas de Beethoven geraram conservas, mas não aderiram ao aperfeiçoamento no papel humano, apenas repetições e adequações da resposta dada.
O livro Cangalha do Vento proporciona estudos sobre nossa matriz de identidade, o ato familiar, contra papeis de espaço e tempo. As funções dos símbolos humanos geram princípios e valores. Uma tentativa de trazer para a mente sua originalidade em uma consciência avançada. Assim como o autor Eudes em sua realidade suplementar viu a imagem de Tereza sorrindo perante a morte, eu pude me envolver dramaticamente para poder traduzir essas falas tão preciosas através de minha amina artística. 
Na própria terapia da relação, nessa explicação convido-o para atuar simulações reais, capazes de criar intensas emoções e proporcionar novos atos. Revelo essa literatura como um esboço para a teoria da cena, passando pelos caminhos dos personagens, tratando das diferentes formas de contato e impacto social. Sinto uma imensidão sistematizada e convido você para acolher essa dramaturgia escrita para a resolução de conflitos e subjetivação.
Por fim, jamais por derradeiro: toda história pode ser encenada, proporcionando integração, afetos, corpo real, novos autores e mudança psicossocial. 
“A arte demonstra onde podemos chegar. E esse encontro está próximo, está dentro de cada um de nós.”

*Samuel Costa, é escritor e palestrante. Psicólogo, especialista em psicodrama didata. É co-criador do projeto "O cordel dramático", apresentado no Chile. E desenvolveu o programa “Quero ouvir tua voz”.

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