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Cantora denuncia babalorixá por estupro e extorsão: “Me escravizava o corpo e a mente”

quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

/ by REDAÇÃO

A cantora pernambucana Karina Buhr afirmou nesta segunda-feira (23) ter sido estuprada e extorquida ao longo de quatro anos pelo babalorixá Expedito Paula Neves, o Dito d’Oxóssi, líder de um dos mais conhecidos grupos religiosos do Nordeste.
Neves, que também era compositor e vocalista do afoxé Ylê de Egbá, morreu no dia 15 de dezembro, aos 58 anos, após parada cardiorrespiratória. Desde então vem sendo reverenciado por suas contribuições à cultura e difusão da musicalidade negra. 
O relato de Buhr foi publicado pela própria cantora na tarde desta segunda-feira (23) na plataforma Medium. Ela afirma ter sido vítima do babalorixá de 1998 a 2002.
Procurada pela reportagem, a famíla do babalorixá afirmou que não tem nada a declarar por desconhecer o assunto. “Estamos em procedimentos religiosos e só poderemos nos pronunciar quando nos inteiramos do que se trata”, afirmou a filha do líder religioso.
A cantora diz que denunciou os estupros ao Ministério Público de Pernambuco há cerca de um ano, quando prestou depoimento para a promotora Henriqueta de Belli. Contudo, afirma não ter assinado o termo de declaração para dar entrada no processo por temer retaliações. 

Segundo a cantora, primeiro vieram as extorsões. “Coações, extorsões diárias, por anos, me mantiveram presas àquela estrutura que me escravizava o corpo, a mente e a alma. Eu via pessoas se aproximarem dele e se afastarem, mas eu não conseguia me afastar”, escreveu.  
Ela cita pedidos de dinheiro que supostamente viriam de entidades e que chegavam a R$ 5.000, além de dizer que teve que comparar objetos, joias e instrumentos.
Segundo a cantora, ele a levou para o quarto e a estuprou. Em seguida, afirma Buhr, ele teria passado a agir como se não tivesse mais incorporado e teria afirmado não entender como chegara ali. “Fiquei aturdida, paralisada de medo, de culpa, de vergonha, embora eu estivesse sendo vítima de algo que nem sabia ainda o que era. Não entendi nada, estava tudo errado de novo e de novo eu não ia conseguir reagir, aos prantos, desesperada”, diz a cantora. 
Segundo ela, foi só com a morte de Neves que se sentiu segura para se manifestar.

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