ALAGOINHAS

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Festejo tradicional, “da colheita”, da fogueira, da quadrilha e da alvorada, o São João chega convidando as pessoas para o arrasta pé, reunindo famílias, com o forró pé de serra, e resgatando as influências da cultura popular nordestina. Em período de festa junina, a banda toca, o figurino segue o cuidado primoroso dos laços, cores e fitas, em meio ao quadriculado das camisas, e o público se põe a cantar em ritmo de xote, de xaxado, de baião, ao som da zabumba, quando o assunto é “arraiá das antigas”.

terça-feira, 25 de junho de 2019

/ by REDAÇÃO


Festejo tradicional, “da colheita”, da fogueira, da quadrilha e da alvorada, o São João chega convidando as pessoas para o arrasta pé, reunindo famílias, com o forró pé de serra, e resgatando as influências da cultura popular nordestina.
Em período de festa junina, a banda toca, o figurino segue o cuidado primoroso dos laços, cores e fitas, em meio ao quadriculado das camisas, e o público se põe a cantar em ritmo de xote, de xaxado, de baião, ao som da zabumba, quando o assunto é “arraiá das antigas”.

Foto: Lázaro Júnior
Em Alagoinhas, teve festa generalizada, do centro aos distritos. No circuito oficial da Joseph Wagner, onde o palco recebeu grandes atrações, no último final de semana, a avenida ficou lotada: em 2 dias, mais de 120 mil pessoas transformaram o espaço em animação, dança, cultura e curtição.
Quem alimentou o festejo foi um grupo “porreta”: nos bastidores do grande evento, vendedores de amendoim, produtores de licor, comerciantes de lanches, cervejas, food trucks, baianas de acarajé, operadores de som, guardas municipais, bombeiros, policiais militares, enfermeiros, catadores de latinha, técnicos, produtores, funcionários de serviços públicos, profissionais da limpeza, da saúde e da comunicação pareciam sintonizados no ritmo exato para que a organização fluísse do início ao fim.
E os reflexos do festejo junino puderam ser sentidos também em outras esferas. No comércio local, segundo o presidente do Sicomércio, Benedito Vieira, o crescimento registrado nas vendas pode chegar a 5%, em relação ao ano passado. Na rede hoteleira, ocupação total.
O festejo que coloca a multidão na rua, para as comemorações de São João, também lota as pousadas, gera emprego entre lojistas, abre portas, janelas e oportunidades para geração de renda com amendoim, milho, licor, ou na informalidade da avenida em dias de atração.
Foto: Lázaro Júnior
O domingo de festa, para alguns, é domingo de trabalho, para outros; ninguém sai perdendo: movimento do circuito não é apenas “balancê”, em ritmo de forró. Toda a cadeia produtiva é mobilizada quando acontecem os festejos de São João.
No caso de Dona Ana, e dos companheiros de trabalho dela, mais que “uma renda extra”, oportunidade nesta época do ano, a “labuta” é também a luta invisível contra o descarte inadequado de latinhas. Trabalho que muda a realidade do circuito, para quem está curtindo, e também para a cidade em si, no que se refere à reciclagem.
“Eu trabalho com reciclagem. Já morei na rua, já morei na Praça Rui Barbosa, durante 7 anos; de lá, passei para o Carneirão. Morei 6 anos no Carneirão. Agora eu estou morando de aluguel. Minhas latinhas, né, minha filha, eu tô catando. Ontem deu pra eu sair daqui 5h da manhã, eu e um companheiro meu, que saímos daqui com o carrinho de mão. Estou deixando para vender tudo terça-feira”, afirmou, no circuito oficial do São João de Alagoinhas, Ana Rita dos Santos, de 49 anos.
Foto: Jhonatas Almeida
Na noite de sábado para domingo, Dona Ana juntou o equivalente a 45 quilos de latinha do circuito.
O empenho dela se une ao de outros catadores, na avenida, e também ao dos agentes de limpeza da secretaria de serviços públicos, que, este ano, contaram com um camarote no circuito, para curtir o festejo em família, para além do trabalho realizado nas vias.
“Nós merecemos. Sem a gente, não tem esse serviço da limpeza na cidade. Tá ótimo! Vim ontem e saí só de manhã”, relatou o funcionário Wilton Oliveira Santos, da SESEP.
No caso de Dona Ana Rita, a “curtição” não foi o foco; na avenida, entre o público de diferentes idades, tribos e gostos, a catadora de latinhas transformou a festa coletiva em forma de “ganha pão” e, embora admita preferir os “festejos na roça” ao agito da cidade, Ana Rita disse logo “É a festa que eu mais gosto, o São João”.
Para professora Iraci Gama, vice-prefeita e secretária da pasta de cultura, esporte e turismo, responsável pelos festejos juninos, os relatos de trabalhadores, visitantes, parceiros e moradores, que abraçaram o São João de Alagoinhas, refletem o sucesso da programação, com o aumento de perspectivas este ano.
“Tomamos o Trem na Estação São Francisco, no dia 12 de junho. Passamos pelo Mercado do Artesão, pela Praça da Bandeira, pela Avenida Joseph Wagner, pelo distrito de Boa União, pelo Riacho da Guia, pelo Estêvão e outros povoados. Em cada uma dessas “estações”, o forró teve domínio total e agenciou nossa viagem à estação do futuro turístico que começamos a construir. Avante, Joaquim, a preservação da cultura valoriza a história, resgata as tradições, amplia os horizontes da comunidade, melhorando seu índice educacional, e ainda nos permite transformar tudo isso em ferramenta de trabalho turístico, gerando oportunidade de emprego e renda para os munícipes. O governo Joaquim Neto está provando que sabe encontrar alternativas para alavancar nossa Alagoinhas, por esses caminhos do sertão, começando pelas estações do forró”, finalizou Iraci Gama.


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