ALAGOINHAS

ALAGOINHAS

 


POLICIAL

POLÍTICA

JUSTIÇA

MAIS NOTÍCIAS

MUNDO

EXPERIÊNCIA SENSORIAL COM O LIVRO CANGALHA DO VENTO: RELATO DE UMA LEITORA

Nenhum comentário



Sou leitora compulsiva. Leio tudo que tenho à vista. Além dos livros, gosto de ler o mundo, as pessoas. Não entendo e não pretendo fazer crítica literária. O objetivo aqui é trazer a minha experiência sensorial, fruto da degustação prazerosa de um livro.

Ontem recebi o livro Cangalha do Vento, de autoria do meu primo Luiz Eudes, Luizinho, como costumo chamar. Logo que a primeira edição foi lançada combinamos de fazer um chá literário aqui em Salvador, na escola em que trabalho como coordenadora pedagógica do Ensino Médio. Teríamos uma tarde de autógrafos e uma roda de conversa. Mas, em tempos de pandemia, o projeto ficou engavetado. Ao saber da segunda edição do livro logo reclamei o meu. Não queria esperar o fim da pandemia para poder lê-lo. Assim, de imediato, como sempre, fui atendida. 

Iniciei a leitura no meu horário habitual, lá pelas 8 horas da noite. Costume que ensinei às minhas duas filhas. Como boa viciada em livros, começo por explorar a capa. A textura, as cores, a imagem, o tipo de letra, os textos da contracapa, o cheiro das páginas. Tudo desperta interesse.

Logo ao abrir o livro deparo-me com uma carinhosa dedicatória que remete aos nossos tempos de adolescência e a amizade que sempre houvera. Luizinho sempre foi um primo muito querido e dividimos muitas experiências literárias, mesmo em uma época na qual ler não era prioridade. Lembro-me que fui leitora do esboço do seu primeiro livro, quando eu ainda morava no centro da cidade, aqui em Salvador, faz mais de 25 anos. O escrito em páginas de papel ofício, recebido num envelope pardo, endereçado à prima Anna Lu, como ele me chama, à Rua Marujos do Brasil, bairro do Tororó. E por falar nesse esboço de livro, nem sei se foi publicado.

Bem, voltando ao Cangalha do Vento, leio a ficha catalográfica como faço ao ler qualquer livro. A capa é de Allan Oliveira, um outro primo. Allan e eu só nos tornamos amigos na vida adulta, através dos meus dois irmãos, Rodrigo e Gabriel. Uma pessoa generosa, inteligente e brincalhona. Allan é primo pela família materna e casou-se com Kathy, minha prima pela família paterna. Haja parentesco!

A revisão literária é do meu tio-amigo, Tom Torres, meu guru. Tom me iniciou nos prazeres da vida profana. Foi com ele que conheci o carnaval de Salvador, os shows nos barzinhos da Pituba, tomei “caldo” nas ondas da Praia da Paciência, no Rio Vermelho. Foi ele quem me ensinou a flertar com os rapazes, a usar os talheres à mesa, a gostar de ler até bula de remédio. Eu lia os seus contos recém saídos da máquina de escrever. E como ele mesmo conta, eu servia de termômetro. Uma espécie de crítica literária infanto-juvenil.

As ilustrações de Samuel Costa. Eu não o conheço, mas sei que é parente. Filho da prima Maria Helena, sobrinho da prima Zete. Ou seja, o livro Cangalha do Vento vai muito além de uma obra literária, é um Curriculum Vitae familiar.

Parabenizo a todos os envolvidos no projeto e publicação da obra. Barrabaz, que fez a revisão textual. Abimael Borges, que escreveu as orelhas do livro. Marcelo Torres, outro primo e amigo, pela escrita do pós-texto Cangalha das Memórias. Um texto primoroso. Pedro Marcelino, um amigo de longas datas. Que saudade das conversas com Pedro na época em que eu trabalhava na Casa da Cultura de Alagoinhas, como secretária de Iraci Gama! Pedro marcou presença no pós-texto da 2ª edição. Fábio Bahia, autor do Prefácio à Primeira Edição. Isa Ueda e Tonho do Paiaiá, também presentes no pós-texto. Não conheço Isa, e Tonho eu não conheço pessoalmente, mas, acompanho o trabalho nas redes sociais e sei que é amigo da minha família Torres. Vale considerar que fiquei encantada com o seu texto Maestria é Maestria. Uma escrita verdadeiramente poética.

Bem, continuando a degustação página a página. A Cangalha das Metáforas, traz uma breve elucidação sobre o título da obra e o contexto psicossocial retratado. Tom Torres dá um tom de ludicidade ao texto. Perfeito!

E, finalmente, na página 15, chega Luiz Eudes. Logo de início percebe-se, estampada claramente, a inspiração trazida por seu primo, meu tio, o imortal Antônio Torres, pioneiro na literatura sobre as temáticas da “Nossa” Terra, o Velho Junco. A exemplo de “Essa Terra”, de Antônio Torres, Eudes introduz com a temática da morte e o percurso da volta de um personagem num caminho inverso ao êxodo rural. A volta daquele que foi para São Paulo, como tantos outros, em busca de uma vida melhor, que ao perceber que a única mudança é a posição geográfica e a saudade da família e do lugar que o pariu, retorna.

Luiz Eudes desperta as minhas memórias afetivas. Aquelas que afetam tanto positiva quanto negativamente os registros do meu arquivo de experiências de referência. Uma experiência sensorial nostálgica. Por que me identifico tanto com os cenários e as experiências dos personagens? Talvez por ter vivenciado um pouco, ou muito, de tudo isso.

Reconheço alguns personagens, a exemplo de seu Durval, irmão do meu avô Irineu. Zé Grosso, dono do Clube Social que eu frequentava ao passar férias no Junco. Maria de Venâncio, cantora do coral da igreja que morava vizinha a minha avó Anita. Zé Dedão e Dona Lira e a pensão familiar localizada na praça da igreja. Zé da Perninha e sua Botica. Dentre outros. Um misto de realidade e ficção, talvez.

Bem, com o avançar das páginas e das horas o envolvimento com o livro só aumenta. Difícil parar de ler. E sigo. Penso que para mim e para qualquer leitor ou leitora que viveu ou vive no Junco a experiência com o livro seja mais intensa, visto que, a identificação é inevitável. O livro desperta o resgate de memórias olfativas e gustativas, como o cheiro e o gosto da castanha e do caju; memórias visuais que se relacionam com a emoção frequente de chegar ao topo da Ladeira Grande e avistar a cidadezinha encrostada no vale cinza ou verde, a depender da época do ano; memórias táteis ao sentir o calor provocado pelo sol escaldante dos dias, e a brisa fria noturna acarinhando os corpos; memórias auditivas dos causos sobre pessoas e fenômenos, como a seca e histórias de assombração, por exemplo. Enfim, muito mais do que um livro ou de um curriculum vitae familiar, Cangalha do Vento é um resgate interior de alguém que vive em mim e eu nem desconfiava.


Ana Lúcia Cruz

Educadora e psicopedagoga

ACONTECE NA CÂMARA

Nenhum comentário



Na sessão ordinária realizada última quinta-feira (26), na Câmara Municipal de Alagoinhas, foram mencionados pelos parlamentares alguns temas.


O vereador Thor de Ninha lamentou as mortes ocorridas recentemente: do ex-jogador de futebol e treinador argentino, Diego Armando Maradona, e de João Alberto (caso divulgado amplamente na mídia, que aconteceu no supermercado Carrefour), solidarizando com a família e amigos. 


Na sua fala pontuou: “Todos os atos que aconteceram no Carrefour mostram claramente de que forma que as pessoas olham o cidadão que tem a cor preta, diferentemente do cidadão que seja não negro. Então, é importante que a nossa sociedade possa discutir esse tema de forma clara, transparente, aberta e tentando vencer esse racismo estrutural que faz parte da estratégia do capitalismo pra se manter e pra manter uma classe subjugada em detrimento do crescimento, do desenvolvimento e do progresso econômico de uma outra.”


O vereador Pastor Lins teceu elogios ao trabalho desenvolvido pelo presidente Roberto Torres, ressaltando: “Eu sei que se o vice-prefeito da cidade tiver o espaço, como aqui foi colocado...Eu sei que aonde o presidente for colocado, com certeza se der liberdade para ele trabalhar - pela forma como ele conduziu essa casa e nos conduziu - eu tenho certeza que esse governo pelo menos nesse aspecto vai se dar bem.” 


A próxima sessão será realizada no dia 01 de dezembro, terça-feira, no horário regimental.


Ascom - Câmara Municipal de Alagoinhas

Foto - Kekeu Barret

Funcionário de funerária é demitido após tirar foto com o corpo de Maradona

Nenhum comentário


 

 O dono da funerária que preparou o corpo de Diego Maradona demitiu um funcionário que tirou e divulgou uma foto em que ele aparece ao lado do caixão aberto, tocando o rosto do astro do futebol argentino. 

A imagem circula em diversos perfis no Twitter e em grupos do WhatsApp. No registro, o funcionário, que não teve o nome divulgado, aparece fazendo sinal de positivo, com o caixão aberto, enquanto tocava o rosto de Maradona. 

Alimentos ficarão mais baratos em 2021, diz presidente do Banco Central

Nenhum comentário





 

O presidente do BC (Banco Central), Roberto Campos Neto, afirmou nesta quinta-feira (26) que os alimentos ficarão mais baratos em 2021. Segundo ele, a inflação desses produtos chegou a um pico e voltará a cair. 

Em entrevista ao SBT, o chefe da autoridade monetária também afirmou que não criticou o ministro Paulo Guedes (Economia) ao dizer que o Brasil precisa de um plano que demonstre preocupação com a trajetória da dívida pública para ganhar credibilidade. 

De acordo com Campos Neto, o efeito na inflação é temporário, motivado por fatores como a desvalorização do real e a injeção de dinheiro na economia com os pagamentos do auxílio emergencial. 

“Temos uma tendência mundial de alguns alimentos onde o preço foi transferido, que o preço internacional está caindo, então a gente entende que sim, alguns alimentos vão ficar mais baratos”, disse. 

“A inflação de alimentos, que chegou a um pico de 18%, vai voltar a cair. Dá para dizer, sim, que a parte de alimentação em domicílio tende a ter um ano melhor no ano que vem do que teve neste” afirmou. 

Na quarta-feira (25), após Campos Neto dizer que o país precisa de um plano que demonstre preocupação com a trajetória da dívida pública, Guedes rebateu. “O presidente Campos Neto sabe qual é o plano. Se ele tiver um plano melhor, pergunte a ele qual o plano dele, qual o plano que vai recuperar a credibilidade” disse. “O dia que a bolsa estiver caindo 50%, o dólar explodindo, aí vou dizer que falta credibilidade”. 

Na entrevista desta quinta, o presidente do BC disse que estava apenas ecoando uma preocupação que havia sido dita por Guedes, de que é importante respeitar o teto de gastos e não buscar saídas que gerem gastos permanentes. 

“Não era uma crítica. Eu estava, na verdade, ecoando uma mensagem que tinha sido propagada pelo ministro e pela área de economia, né? Nós temos um pensamento muito parecido”, afirmou. 

ESPLANADA: Nandinho da Serraria se reúne com maioria dos vereadores eleitos na noite dessa quinta.

Nenhum comentário



O prefeito eleito Nandinho da Serraria (PSDB) esteve reunido na noite dessa quinta (26) com o G10, grupo formado pela maioria dos 13 vereadores eleitos na corrida eleitoral de 2020. 


Estiveram presentes nesse encontro os vereadores Lúcio Mauro (PSB), Zelito Pimenta (DEM), Fafau de Flavinho (MDB), Val da Baixinha (PSDB), Eliana Campos (PSDB), André de Dongo (PSB), Zé da Praia, (PSDB), Pé de Gia (Podemos) Profª Alvirene (PV) e Robson de Zé Ramos (MDB).


“Esse é um momento de sentarmos para falar sobre os projetos futuros da construção de uma nova Esplanada, e também da harmonia que devemos construir entre o executivo e o legislativo. Foi uma noite amistosa, onde dialogamos sem a pressão de uma corrida eleitoral. Não existe gestão sem a participação efetiva do legislativo municipal e saio como uma impressão muito boa e democrática que cada parlamentar eleito e reeleito me passou”. Afirmou o prefeito eleito Nandinho da Serraria.


Segundo o vereador eleito Lúcio Mauro (PSB), o G10 também saiu muito satisfeito com a primeira reunião. “Foi um encontro democrático, onde todos puderam falar sobre as expectativas dos seus mandatos e o que esperam da gestão municipal, principalmente sobre os temas, geração de emprego, capacitação técnica entre outros que os colegas levantaram e o prefeito eleito foi bem sensível a cada tópico, que vai de encontro com os seus compromissos de governo”. Finalizou o vereador eleito.


Nandinho da Serraria deu uma entrevista nessa quinta (26) na Brisa Mar fm, onde reforçou em ser um prefeito para todos, independente de partido político. O prefeito eleito afirmou que a sua principal bandeira será a geração de emprego e renda e melhorar a oferta de serviços da saúde. 


Nandinho da Serraria foi eleito com uma votação história com 8.525 votos, totalizando 42,42% com uma diferença expressiva para o segundo e terceiro lugar.


ASCOM - Nandinho da Serraria

TCU ameaça condenar Guedes se governo não definir meta fiscal

Nenhum comentário





 

O ministro da Economia, Paulo Guedes, corre o risco de sofrer uma condenação pelo plenário do TCU (Tribunal de Contas da União) caso ignore o alerta enviado pelo órgão e deixe de enviar ao Congresso uma meta fiscal para o resultado primário de 2021. 

O plenário do tribunal decidiu por unanimidade, há cerca de 20 dias, comunicar ao governo que atuar com meta flexível é não ter uma meta, o que significaria cometer crime de responsabilidade. 

Na avaliação de técnicos do tribunal, se essa situação persistir, uma possível condenação de Guedes deverá respingar no presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e abrir caminho para um processo de impeachment, como ocorreu com Dilma Rousseff (PT). 

A flexibilidade da meta fiscal (receitas menos despesas) foi proposta pela equipe econômica em abril, quando o governo teve de mandar o PLDO (Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2021 ao Congresso. 

A proposta muda de forma significativa a interpretação sobre a legislação orçamentária do país em meio a uma série de incertezas sobre o rumo fiscal do governo a partir do ano que vem. 

O governo propôs no texto que o valor da meta seja ajustado ao longo de 2021 e adaptado às estimativas feitas a cada dois meses de receitas e despesas para o ano. Na prática, isso liberaria o governo de perseguir um limite fiscal. 

Nos bastidores, o próprio Ministério da Economia reconhece que o mecanismo elaborado faz a meta fiscal de 2021 ser inexistente. 

A justificativa é que, durante a elaboração do PLDO, a incerteza sobre os rumos da economia com a pandemia do novo coronavírus era elevada e, por isso, seria difícil prever um resultado fiscal para o próximo ano. 

Em outubro, o TCU não só fez um alerta ao Executivo como também informou à CMO (Comissão Mista de Orçamento) do Congresso que a ideia não atende a LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal) nem a Constituição. 

Para o TCU, a proposta da meta móvel subverte a regra de resultado fiscal e torna ineficaz seus propósitos, "o que pode fragilizar os esforços para assegurar a consolidação fiscal e a trajetória sustentável do endividamento federal", nas palavras dos ministros no acórdão sobre o assunto. Para eles, ficaria comprometido ainda o controle da execução orçamentária em 2021. 

"Embora a meta de resultado primário apresentada possa ser justificada pelo caráter excepcional das circunstâncias atuais, sua recorrência não poderá ser tolerada, por afetar o planejamento fiscal responsável [...] e a credibilidade do governo perante os agentes econômicos", afirma o acórdão do órgão de controle. 

A equipe econômica expressou recentemente que iria discutir uma possível mudança na proposta, mas ainda resiste e prefere deixar a decisão para o Congresso. 

"A posição atual é que temos uma redução do nível de incerteza, o que permite analisar com mais precisão [os números do ano que vem]. Nos colocamos à disposição do Congresso para discutir as cláusulas do PLDO", disse recentemente o secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues. 

O secretário do Tesouro Nacional, Bruno Funchal, expressou visão semelhante, mas avalia que uma mudança no texto enviado ao Congresso teria suas desvantagens. 

"Projetar uma arrecadação para 2021 é muito mais preciso hoje do que antes, mas ainda assim existe incerteza. Vale um debate no Congresso, para analisar esses prós e contras", disse Funchal. 

A equipe econômica aposta em uma aprovação do PLDO, argumentando que as despesas em 2021 só podem ser executadas após aval do Congresso ao texto. Segundo essa visão, os parlamentares têm interesse em aceitar a proposta antes do fim do ano. 

Mas a PLDO está há mais de sete meses travada no Congresso, tendo como pano de fundo a disputa pela presidência da Câmara dos Deputados. A não aprovação até 31 de dezembro pode travar a execução de qualquer despesa a partir de janeiro. 

O TCU já pediu ao Ministério da Economia que se manifeste sobre quais medidas seriam adotadas para permitir a execução do Orçamento caso o texto da PLDO não seja aprovado até o fim do ano. 

O Ministério da Economia tem afirmado que não há um plano B e que o caminho é ter o PLDO aprovado ainda neste ano. 

Para os técnicos do TCU, essa alternativa é arriscada para o governo. A única exceção mencionada seria o Congresso alterar a LRF, prevendo a flexibilização da meta —algo considerado arriscado demais porque seria um sinal negativo, de descontrole fiscal, ao mercado. 

Outra saída seria o governo negociar com o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a renovação do estado de calamidade pública e, por consequência, do Orçamento de guerra (que suspende regras fiscais). 

Somente isso poderia, ainda segundo a análise dos técnicos do TCU, isentar Guedes e o governo de responsabilidade por não definir uma meta fiscal. 

No entanto, assessores de Bolsonaro consideram essa solução difícil porque, nos bastidores, o governo trabalha pela eleição do deputado Arthur Lira (PP-AL) para a presidência da Câmara. 

Para os articuladores do Planalto, mesmo com maioria formada pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal para que o deputado continue como réu em ação por corrupção passiva, uma condenação só viria depois do término do mandato de dois anos —o que o habilitaria para o posto. 

Maia, que deixa a presidência em fevereiro, já declarou a aliados que não colocará a renovação da calamidade em votação caso o governo envie uma nova proposta sobre o tema até o fim deste ano. 

Portanto, as regras fiscais voltam a vigorar em sua plenitude a partir de janeiro, vencido o prazo da calamidade. 

O governo considera que Maia só mudaria de posição se o governo fechasse acordo com ele pela recondução ao comando da Câmara, algo que depende não só de um aval do Supremo Tribunal Federal como dos votos na eleição, que é fechada. E aliados de ambos os candidatos afirmam que Maia estaria em desvantagem neste momento. 

Juliana Damasceno, especialista em finanças públicas da FGV (Fundação Getulio Vargas), afirmou que o governo deixou de considerar a Covid-19 nos números do Orçamento de 2021 e que a prorrogação do estado de calamidade não reúne consenso do ponto de vista legal. 

Nos debates dos quais participa, muitos especialistas defendem que a Covid não é mais um evento imprevisto em 2021. Sob essa visão, créditos extraordinários (fora do teto) contra a pandemia não seriam mais justificados. 

Ela afirmou que o governo precisa encontrar uma solução sólida para o problema social, sem contabilidade criativa. 

"Temos uma oportunidade de ouro de redesenhar programas. Mas para tudo isso precisamos de um sistema de cadastro muito bom e de investimento em análise periódica de políticas públicas. O governo inclusive prometeu que iria fazer um programa de avaliação de gastos, e não fez isso", afirmou. 

"Não tem mais margem para ficar cortando. A gente não tem margem para um programa social robusto, então chegou a hora de rever renúncias, cortar gastos tributários e rever diversos programas sociais", afirmou. 

© Todos os direitos reservados
Desenvolvimento by Agência Alves Comunicação Digital...